• Sertãozinho: 16 3942 7113 / Ribeirão Preto: 16 3963 6500
  • Seg - Sex.: 07h às 19h
26/07/2021
Imagem: felipecaparros, de envatoelements Imagem: felipecaparros, de envatoelements

É notório que com a transição outono-inverno possam surgir algumas alterações em nosso organismo, aliada especificamente as mudanças climáticas do período, geralmente mais seco e frio. A produção de urina está diretamente relacionada com o volume de líquido ingerido durante o dia. Além disso, em um clima quente e seco ocorre maior transpiração pela pele e perda de líquidos durante a respiração. O oposto ocorre em um clima frio e úmido. Por isso é importante termos a consciência do que a falta de líquido pode ocasionar e os cuidados que temos que ter.

A infecção urinária é causada por fungos ou bactérias que percorrem o canal da uretra e se alojam na bexiga e, apesar de apresentar maior incidência em mulheres, pode acometer também em homens e crianças, em especial meninas ainda no uso de fraldas. O problema da infecção não são apenas as bactérias comuns nessa região, a complicação é principalmente quando ocorre a migração dessas bactérias para a bexiga, podendo até chegar aos rins. Quando isso acontece, muito provavelmente irá surgir uma infecção.

De acordo com o estudo feito no artigo “A urinálise no diagnóstico de doenças renais”, se as bactérias não alcançarem os rins, o problema, conhecido como cistite, fica apenas concentrado na bexiga. Mas se seguirem para os rins, a infecção, nomeada de pielonefrite, se torna mais grave. Nesse estágio é comum vir acompanhada por febre alta (acima de 37.8°), calafrios e dor na região lombar. No entanto, para evitar complicações sérias, basta começar o tratamento o mais cedo possível. Caso contrário, há risco de a infecção avançar pelo organismo, podendo até matar.

Cerca de 30% das mulheres vão apresentar na vida infecção urinária leve ou grave. A mulher tem 50 vezes mais chance de ter o problema do que o homem. Entre os principais sintomas estão: ardência ao urinar, urgência miccional, ou seja, a mulher vai várias vezes ao banheiro fazer xixi, urina avermelhada (com sangue) e dores no “pé da barriga”. Para diferenciar a dor lombar comum de uma dor nos rins é preciso observar os sinais que acompanham o problema: A pielonefrite vem acompanhada ainda de calafrios e apatia, cansaço e prostração.

Uma parcela das mulheres que tem infecção urinária pode apresentar os quadros da doença com maior frequência. Se isso acontecer, certamente a paciente terá que tratar o problema, mas nesse caso, o tratamento vem por meio de uma medida preventiva. Muitas vezes o tratamento indicado para essa paciente pode ser a profilaxia. Onde as pacientes terão que tomar uma medicação diária, essa medicação limpará a urina com infecção.

Doença Multifatorial
Segundo o estudo, alguns fatores poderão contribuir para que a mulher tenha infecção urinária, dentre eles estão: Anatomia feminina, onde a uretra da mulher é curta (de quatro a cinco centímetros) e próxima à região onde as bactérias costumam ficar. Esse curto caminho favorece que as bactérias cheguem à bexiga. Menopausa, nesse período da vida da mulher a diminuição do estrogênio tem como uma de suas consequências a predisposição à infecção urinaria, isso porque altera a flora vaginal, a qualidade do tecido da vagina e da uretra, deixando a entrada das bactérias na região mais fácil e o ambiente mais propício para a colonização.

Relações sexuais, por mais convencional que seja o ato sexual, ele é um fator de risco. Tanto é verdade que a “cistite da lua de mel”, conhecida popularmente, é a infecção urinaria que pode acontecer depois da relação sexual, já que o pênis pode ajudar a levar bactérias para dentro da vagina. De Mãe para Filha, se houver um histórico materno de infecções urinárias frequentes, é possível que a filha tenha alguns episódios do problema durante a vida também.

Uso de Fraldas, os idosos devido à incontinência urinaria, precisam usar as fraldas geriátricas com frequência. A fralda é abafada, úmida, se tiver com urina, esse ambiente é favorável para o aumento das bactérias na região vaginal. Além disso, o idoso tem mais predisposição ao problema já que a imunidade pode estar mais baixa com o avanço da idade. Outros maus hábitos como beber pouca água, sentir vontade de urinar e não ir ao banheiro e falta de cuidados com a higiene pessoal também podem ser uma porta aberta para o problema.

Dicas de como prevenir a doença
Se você já teve uma crise de infecção urinária ou, só de ouvir a descrição dos sintomas, já quer evitar que o incômodo chegue até você, duas medidas simples podem ajudar: Beba bastante água diariamente e não deixe de ir ao banheiro quando sentir vontade de urinar. A ingestão de água faz você ir mais vez ao banheiro e assim você vai evitar que a bactéria permaneça mais tempo dentro do organismo. Quanto mais urina parada, mais chances de infecção.

Evite usar ainda as duchas vaginas e procure sempre quando for ao banheiro, limpar a região do períneo com o papel higiênico no sentido frente para trás. Do contrário poderá trazer as bactérias que estão na região intestinal para dentro da vagina causando a infecção da mesma forma. O sentido da ducha também é sempre de cima para baixo. Urinar logo depois da relação sexual também pode ajudar aquelas pacientes com cistite de repetição. O xixi lava a uretra ajudando a eliminar bactérias que possam ter entrado durante o ato.

Entenda como funciona o diagnóstico e tratamento
O primeiro passo antes de tratar é reconhecer qual é a bactéria responsável pelo problema. Portanto, é essencial fazer o procedimento de coleta de urina afim de descobrir qual bactéria a paciente possui e determinar qual é a causa do problema. Caso seja a primeira vez que a paciente faz a queixa dos sintomas da infecção urinária, o ideal é que um exame de imagem também esteja associado para o diagnóstico. Sem os exames e conhecer o histórico da paciente, fica inviável definir se aqueles sintomas não estão ligados ao cálculo renal. Essa pode ser uma possibilidade. O cálculo obstrui a urina que já está infectada com as bactérias.

É importante que quem sofre com essa complicação busque assistência médica e evite a automedicação. Quem toma remédio por conta própria pode, ao invés de se livrar logo das dores ao urinar, fortalecer uma bactéria que não deveria permanecer no organismo. Caso o paciente esteja em estado crítico, onde seja observada a possibilidade de a doença evoluir para uma infecção generalizada, com falência de órgãos, outras medidas poderão ser tomadas. Cabe aos profissionais de saúde envolvidos com o problema a gestão da melhor maneira para tratar e cuidar de cada paciente.

fonte: R7, escrita por Meatriz Ferrão